Para Alguém Especial (III)

09:00

Eu sou egoísta. E por incrível que pareça, demorou muito tempo pra perceber isso, os conflitos que existem dentro disso que chamamos de sentimentos. Eu entrei no meu primeiro dia de aula com uma coisa em mente: não irei namorar. De jeito nenhum, jamais, eca. Então, aconteceu aquela coisa, aquela pontada no meu coração, ou talvez fosse minha mente me pregando uma peça, e que mudou tudo.

Eu não entendia todos os procedimentos, não sei dizer ao certo como começou o contato, mas ele estava ali pra mim, no que eu tivesse dúvidas. E tão naturalmente nos tornamos amigos. Ele sempre dava um jeito de se sentar perto de mim, de estar ali para me auxiliar, mas os amigos dele sentavam longe. O que eu fiz? Passei a sentar sozinha e a não esperar ele, para que ele pudesse ficar perto desses amigos.

O que fez com que ele achasse que eu estava me afastando dele, o que em parte era verdade. Eu disse que isso não tinha nada haver, e começamos a ficar um indo a onde o outro estava. E um ritual de trocar balas e doces e chocolates. Era legal ao longo do expediente saber que essa pessoa poderia aparecer a qualquer momento.

Resultado de imagem para escrevendo gif

Então, uma amiga virou pra mim e disse: "nossa, vocês são tão bonitinhos juntos, é tão fofo ver a interação entre vocês". E eu neguei veementemente, porque aquilo era SÓ AMIZADE e não sairia disso. Então eu fiquei desesperada. Minha nossa, e se ele gostasse de mim? O que eu faria se ele estivesse se apaixonando por mim? O que sempre fiz: me afastaria. Sem complicações, sem problemas. E então, um certo dia, enquanto pensava nisso, ele veio e me deu um pedaço de chocolate. E meu coração fez aquela coisa estranha, aquele movimento que você já percebe que não vai dar merda, já deu.

Sim, senhoras e senhores, naquele instante eu percebi que gostava dele. O que era pior do que se ele gostasse de mim, porque eu não sou do tipo que guarda esse tipo de coisa: eu faço de tudo para que esse sentimento saia de mim o mais rápido possível.

Respirei fundo, pensei. Aquilo não era certo. Foi algo momentâneo, um devaneio, um sonho de uma noite de verão? E quanto mais eu pensava nisso mais eu pensava nele, porque quanto mais você fala de alguém mais você gosta dessa pessoa, é uma teoria real certo? Ou era mais uma idiotice?

Os dias iam passando, eu sentia cada vez mais falta dele. Doentio, obsessivo, ia piorando. Não dava mais para continuar. Esse frio na barriga, minhas mãos suando, minha mente em frangalhos, não conseguia pensar direito, não conseguia RESPIRAR direito. Eu estava infectada.

E eu agi por impulso. Estávamos indo embora. Eu puxei ele em um canto, e disse.

"Eu gosto de você... não quero mais guardar isso... não precisa dizer nada... é isso"

Resultado de imagem para escrevendo gif

Ele estava sem reação. Surpreso, para dizer o mínimo. E disse que não queria um relacionamento, não estava buscando um namoro sério. Suspirei de dor e alívio. Droga, eu também não. E disse isso em voz alta. Ele me olhou confuso, eu estava confusa.

Fui embora. Eu mandei mensagem, pedi desculpas, disse que só falei aquilo porque era uma forma de não deixar preso os meus sentimentos, porque se eu falasse, aliviaria minha consciência e eu poderia seguir em frente com isso. Ele disse que não parava de pensar e que estava se sentindo culpado pela forma como agiu comigo, porque realmente foi um choque. Essa sou eu, aquela que explode uma granada e sai andando, aleatória.

Tudo bem, eu disse. Não estou querendo um namoro nem nada disso. Só precisava desabafar, era isso. Agiríamos normalmente. Só que era só ele chegar perto, sentir seu cheiro, e eu ficava louca. LOUCAAAAA sem conseguir pensar direito. Me doía não tocar nele. Por que raios eu queria esse contato? Andar de mãos dadas, beijar seu pescoço. Isso não é normal, isso é obsessão, essa estúpida pessoa chamada eu.

Pedi para que a gente se afastasse. Só temporariamente, umas 2 semanas, assim eu controlaria meus sentimentos. Foi mais difícil do que eu pensei. Queria vê-lo, queria ouvir sua voz, sentir seu cheiro de novo. Chorei. De angústia, de raiva, de saudade. Estava viciada nele, era como um usuário de droga: se eu não tenho, falta algo e sofro.

Resultado de imagem para grito

Eu via ele de longe, corria. Me escondia. Evitava ele como o diabo foge da cruz. E conheci outro garoto, nesse meio tempo, que fazia com que as horas longe daquele que infelizmente tinha um pedaço do meu coração não passassem tão dolorosamente devagar.

Não importava, certo? Aquele buraco ainda estava lá. E então, em um belo dia, andando, senti os olhos dele em mim e sabia que ele iria falar comigo. Droga, droga, droga, fiquei pensando. Por favor, que ele não me siga. Que ele não fale comigo. Minhas mãos suando, minhas pernas trêmulas. Abri meu armário, não adiantava disfarçar: ele estava ali.

Eu disse oi, ele disse também. Disse que precisava conversar comigo. E eu tipo, ok, vamos conversar depois. O tempo parou. O relógio me assustava. Quando chegou a hora, fiquei esperando ele e ele não aparecia. Talvez tivesse mudado de ideia? Ele era tímido. Merda, eu também sou. Mas uma parte minha é a impulsiva que toma ações e atitudes antes que minha mente processe, o que inibe essa timidez. Ele chegou. Eu já cheguei tipo:

-Não senta do meu lado, fica atrás dessa bancada aí.

Distância, era isso que eu precisava. Por que talvez ele quisesse me beijar. E raios o parta, talvez eu quisesse isso.

Ele pediu desculpas, disse que sentia minha falta, que tinha que ter outro jeito. Que não queria me ver triste, que não sabia bem como lidar comigo. Foi onde eu meio que pistolei.

"Não consigo ficar perto de você sem querer te abraçar, te tocar, eu fico possessiva quando se trata de nós, e eu não quero isso, não quero fazer coisas que você não queira".

-O problema é esse? Ninguém ta te impedindo disso.

Resultado de imagem para sentimentos

Foi ladeira abaixo. Voltamos a nos falar, mas ele me deixava pegar na mão dele. Andávamos de mãos dadas, eu o abraçava. Às vezes eu ficava triste porque o queria, ele percebia e me abraçava. Ele vinha até mim tantas vezes, e eu ficava com medo de prejudicar seus estudos, porque minha loucura não tinha limites. Eu queria mais, cada vez mais, mas sentia que havia alguns limites. Quantas vezes eu não tive que me afastar um pouco para não beijá-lo? Mas eu queria, com tanta vontade, encher ele de beijos.

E eu me sentia mal, porque era como se estivesse usando ele. É onde eu sou egoísta. Queria ele pra mim, e eu avisei ele disso.

"Você não vai sair com nenhuma garota como se fosse um encontro, não vai namorar ninguém, não vai ficar perto de fulana e ciclana porque não quero, você é meu. Se quiser alguém, e sentir que estou te sufocando demais, me avisa".

Ok.

Foi só isso que ele fez, concordou. Então eu estava livre. Não queria me sentir presa em um relacionamento, não queria um namoro oficial, quando ele me chamou pra sair eu disse não porque estava ocupada estudando e não queria, tinha medo do que poderia fazer.

Medo

Medo dos meus sentimentos, e mais do que isso, do que eles poderiam estar fazendo com ele. Então ficava aquela coisa. Um dia eu tava louca por ter ele por perto, no outro dia queria distância e expulsava ele do meu lado. Teve uma vez que ele mesmo desabafou.

- Não sei como reagir a você. Não sei quando você quer que eu esteja perto e quanto quer que eu fique longe. O que você falar, eu faço. Só fala.

Resultado de imagem para sentimentos

Mas sempre tão tranquilo, tão paciente. Não estávamos prontos para isso. Esse é o problema: quando você conhece a pessoa certa no momento errado. Ou talvez não fosse tão certo assim. Não importa mais. Nos afastamos de novo, e dessa vez, o tempo passou, e eu me tornei apenas alguém que ele costumava conhecer. Porque nesse meio tempo, ele conheceu outra garota, e eu não sabia. Tentei falar com ele de novo, dizer que estava com saudades, que tentei seguir em frente e não conseguia. Ele não. Não entendi isso. "Eles estão namorando", minha amiga disse. Ele está feliz. Eu estou feliz também. 

Não era pra ser. A faculdade ainda me espera, tantas coisas pela frente. Vou mudar de cidade em breve, tantos planos ainda para serem realizados. A vida é assim.

VOCÊ PODE GOSTAR TAMBÉM

0 comentários

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *